Classificação na Educação Infantil: objetos e critérios

Organize uma brincadeira de classificação para crianças de 4 e 5 anos, com objetos seguros, critérios escolhidos pela turma e registros por desenho.

EDUCAÇÃO INFANTIL

Henrique Amaral Souza

10/9/20265 min ler

Duas crianças explorando blocos coloridos em ambiente interno — foto ilustrativa, Vika Glitter/Pexels
Duas crianças explorando blocos coloridos em ambiente interno — foto ilustrativa, Vika Glitter/Pexels

Um mesmo objeto pode participar de diferentes grupos: pela cor, pelo formato, pelo material ou pelo uso que as crianças imaginam para ele. Explorar essas possibilidades transforma a organização de uma coleção em uma conversa matemática. Esta proposta é destinada a crianças de 4 e 5 anos e pode acontecer em dois encontros de aproximadamente 25 minutos, com tempo para brincar e retomar as descobertas.

Objetivos e relação com a BNCC

A intenção é observar atributos, propor agrupamentos e explicar escolhas por fala, gesto, desenho ou outros recursos de comunicação. No campo Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações, a BNCC apresenta EI03ET05, relacionado à classificação de objetos e figuras por semelhanças e diferenças, e EI03ET04, que contempla registros das explorações em diferentes linguagens. A sequência oferece oportunidades para esses objetivos; o professor acompanha os processos, sem exigir uma única resposta para toda a turma.

Na Educação Infantil, a experiência deve manter espaço para a investigação e a brincadeira. Os nomes de formas e as palavras “critério” ou “classificação” podem aparecer na conversa do adulto, mas não precisam se tornar definições que as crianças devem decorar. Comece pelo que elas percebem nos materiais.

Preparar os objetos e o espaço

Separe de 12 a 20 objetos grandes, inteiros, laváveis e conhecidos: blocos de montar apropriados à idade, potes plásticos, tecidos, colheres grandes, bolas e animais de brinquedo. Escolha peças que permitam mais de uma combinação, como objetos de cores semelhantes e formatos diferentes. Retire itens pequenos, quebrados, cortantes ou que possam se desprender. Considere as orientações da escola e a forma como cada criança explora os materiais.

Use duas ou três bandejas ou delimite espaços sobre a mesa com folhas grandes. Coloque os objetos ao alcance de todas as crianças e deixe uma área livre para reorganizá-los. O professor não precisa preparar etiquetas com respostas antecipadas. Papel e lápis servirão para registrar as escolhas depois da exploração.

Encontro 1: conhecer e agrupar

Comece com alguns minutos de exploração livre acompanhada. Observe quais objetos chamam atenção e que comentários aparecem. Convide a turma a reunir os que, na opinião dela, combinam: “Quais vocês colocariam juntos? Como podemos mostrar essa escolha?”. Faça a proposta a pequenos grupos para permitir que todos manipulem os materiais.

Quando um grupo juntar objetos vermelhos, pergunte o que eles têm em comum. Quando outro organizar utensílios de cozinha, reconheça que o uso também pode orientar a escolha. Uma classificação por cor e uma classificação por função podem ser válidas em momentos diferentes. A questão é compreender o critério utilizado, em vez de impor o agrupamento que o adulto havia imaginado.

Se uma peça parecer não caber em nenhum grupo, convide as crianças a discutir. Elas podem criar outro grupo, mudar a regra ou deixá-la separada enquanto procuram uma solução. Evite corrigir imediatamente. Pergunte o que aconteceria se esse objeto entrasse em uma das bandejas e ajude a tornar a decisão visível.

Mudar a regra sem trocar a coleção

Depois de conhecer um agrupamento, reúna os objetos novamente e proponha outro jeito de organizar. A turma que escolheu a cor pode tentar o formato; a que escolheu o uso pode pensar no material. Não é necessário executar todas as possibilidades no mesmo encontro.

Compare as duas organizações: “Esse pote estava com as bolas. Onde ficou agora? O que mudou?”. Mostre que o objeto continua o mesmo, mas a regra escolhida alterou seu lugar. Para uma turma que ainda precisa de apoio, ofereça apenas seis objetos e dois grupos. Para quem deseja ampliar a investigação, peça que explique uma regra a um colega antes de reorganizar as peças.

Encontro 2: criar uma coleção e registrar

Retome a experiência anterior e convide um grupo a organizar a coleção enquanto outro tenta descobrir a regra. Quem propõe o agrupamento pode explicar por fala, apontar características ou usar uma imagem de apoio. Se os colegas pensarem em uma regra diferente que também combine com os objetos, comparem as hipóteses sem transformar a descoberta em competição.

Em seguida, proponha um registro por desenho. Cada criança ou dupla pode representar os objetos de uma bandeja. O professor escreve, quando solicitado, uma frase ditada que explique a escolha, como “Aqui ficaram os objetos que usamos para cozinhar”. Não exija desenhos idênticos nem transforme o registro em uma ficha de pintura com grupos já definidos.

Exponha dois registros e retome as escolhas com o grupo. Se uma criança desenhar um objeto em outro conjunto, peça que conte como pensou. O registro serve para conversar sobre a organização; ele não precisa reproduzir uma fotografia da mesa.

Criança organizando blocos coloridos sobre o chão de madeira — foto ilustrativa, cottonbro studio/Pexels
Criança organizando blocos coloridos sobre o chão de madeira — foto ilustrativa, cottonbro studio/Pexels

Adaptações para ampliar a participação

Use peças com formatos e texturas distinguíveis e ofereça tempo para explorá-las. Se a cor não for um atributo acessível para uma criança, proponha também tamanho, textura, forma ou função. Descreva as características relevantes e mantenha a escolha dos critérios aberta.

Ofereça bandejas estáveis, superfície antiderrapante e objetos fáceis de segurar quando esses apoios forem úteis. Crianças com mobilidade reduzida podem orientar a colocação das peças e escolher os grupos por comunicação alternativa. Garanta que os recursos de comunicação habituais estejam disponíveis. Evite substituir automaticamente sua participação pela ação de outro colega.

Para crianças que precisem de mais previsibilidade, apresente poucos objetos e mostre uma organização inicial antes de convidar a criar outra. Aumente a coleção gradualmente. Os apoios devem responder à observação de cada criança, em diálogo com a equipe e a família.

O que observar e planejar depois

Anote qual atributo a criança percebeu, como comunicou sua escolha e se manteve ou mudou a regra durante a organização. Registre os apoios oferecidos. Uma criança que muda o critério pode estar explorando outra possibilidade; peça que explique antes de interpretar a mudança como falta de compreensão.

Na retomada, escolha um desafio ligado às observações. Se o grupo apenas imitou o adulto, ofereça outra coleção e aguarde suas propostas. Se explicou diferentes regras, convide a comparar objetos que pertencem a mais de um agrupamento em momentos distintos. Preserve a conversa, a exploração e o direito de brincar como parte do planejamento.

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Referência

Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular, Educação Infantil, campo Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações, página 51. Documento oficial: Documento oficial da BNCC

Crianças explorando blocos de madeira sobre um tapete — foto ilustrativa, Ksenia Chernaya/Pexels
Crianças explorando blocos de madeira sobre um tapete — foto ilustrativa, Ksenia Chernaya/Pexels

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